domingo, 3 de abril de 2011

Adesivos não colam!




Neste início de ano estamos enfrentando uma série de epidemias: dengue, conjuntivite, entre outras. Todavia há uma outra epidemia assolando o nosso cotidiano. No começo eram poucos casos, agora eu vejo milhares! Estão por toda parte! Aff!

Está lá! Estão estampados em váriosss carros! São eles: os adesivos "família feliz"! São diversos! Agora a família brasileira pode sentir-se representada numa traseira de um automóvel! Pois é, está lá, a família - "papai, mamãe e titia" - conforme a letra da música. A família feliz! Para todos verem, para todos sentirem-se melhores e mais felizes!

As representações são as mais diversas. Hoje eu vi um adesivo que tinha o papai fazendo o churrasco, a mamãe descolada, as filhinhas com roupinhas de balé e o bebê acompanhando.Todos contentes. Já vi o adesivo de um casal - o homem de terno e a mulher com um monte de sacolas de compras - provavelmente voltando de um shopping center. Têm outros com cachorros. Como não? Faz parte da família! Outros com gatinhos, aquários, coelhinhos... Também já vi o adesivo da mulher divorciada com as suas filhas... Também o da mulher solteira com seus cachorrinhos. Enfim..."Coitadinha" - penso - Quem sabe um dia ela não terá um desses adesivos com a família completa, com churrasqueira e tudo mais?!

Estão por toda parte! São milhares! Essa "mania" instiga-me a fazer uma série de reflexões. Será que expor as nossas fotos "felizes" nas redes sociais já não são suficientes?! Por que há esse modismo - e também essa necessidade - de sentir-se representado? Por que ter que escancarar as nossas vidas para que todos vejam como somos felizes? Que necessidade é essa de nos vermos representados num carro, como se esse carregasse nossa felicidade?!

Além disso, essa epidemia - como tantas outras - trazem uma série de problemáticas para a nossa sociedade. Se temos que estarmos representados na traseira de um carro, como fazemos com os casos "excepcionais"? Por exemplo: como fica a situação dos amantes? Pode-se comprar um carro novo para sair com o (a) outro (a)? Por que não?! Hum... e como ficam os enteados? Estarão representados em que carro? E os casais homossexuais? E a viúva? E o viúvo?
E o da família feliz, que não tem carro?! Como será representada?! Podemos concluir que uma família que não tem carro, não pode ser feliz.

Pois é...adesivos não colam. Adesivos não refletem a nossa atual situação. Adesivos são vazios. Não precisamos nos expor tanto para revelarmos uma pseudo felicidade. Não precisamos seguir modismos. Não precisamos ceder a mais uma exigência da sociedade atual. Não precisamos permanecer estáticos e felizes num adesivo, vazio. Para sempre. Ou até que troquem os mesmos.








quarta-feira, 30 de março de 2011

Meu coração - Arnaldo Antunes

Meu coração bate sem saber
Que meu peito é uma porta que ninguém vai atender
Meu coração bate sem saber
Que meu peito é uma porta que ninguém vai atender

Quem sente agora está ausente
Quem chora agora está por fora
Quem ama agora está na cama doente
Só corre nunca chega na frente
Se chega é pra dizer vou embora
Sorriso não me deixa contente

E todas as pessoas que falam para me consolar
Parecem um bocado de bocas se abrindo e fechando
Sem ninguém pra dublar
Eu já disse adeus antes mesmo de alguém me chamar
Não sirvo pra quem dá conselho
Quebrei o espelho, torci o joelho, não vou mais jogar

Meu coração bate sem saber
Que meu peito é uma porta que ninguém vai atender
Meu coração bate sem saber
Que meu peito é uma porta que ninguém vai atender

Quem sente agora está ausente
Quem chora agora está por fora
Quem ama agora está na cama doente
Só corre nunca chega na frente
Se chega é pra dizer vou embora
Sorriso não me deixa contente

E todas as pessoas que falam para me consolar
Parecem um bocado de bocas se abrindo e fechando
Sem ninguém pra dublar
Eu já disse adeus antes mesmo de alguém me chamar
Não sirvo pra quem dá conselho
Quebrei o espelho, torci o joelho, não vou mais jogar

Meu coração bate sem saber
Que meu peito é uma porta que ninguém vai atender
Meu coração bate sem saber
Que meu peito é uma porta que ninguém vai atender




terça-feira, 1 de março de 2011

Tão profunda, tão clara. Clarice.





Hoje, eu precisava de um pouco de Clarice. Uma dose.

Não quis apenas ler, quis compartilhar aqui no blog alguns textos publicados no livro "A descoberta do mundo".

Boa leitura. Boa dose. Aqui, só com moderação. rs






MAS JÁ QUE SE HÁ DE ESCREVER...


Mas já que se há de escrever, que ao menos não me esmaguem as entrelinhas.






SAUDADE



Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.








AMOR À TERRA


Laranja na mesa. Bendita a árvora que te pariu.


14 de junho



Clarice Lispector





segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Tempestade

Destruição
Dor
Ondas de
Horror
Enxurrada de
Revoltas
Vidas
sem voltas.

Um pouco atrasada...rs



Eis 2011!!!





Começar um novo ano é renovar as possibilidades de conquistas, de sabores e risos. É sentir o cheiro de dias novos. É acreditar.




Meu ano começou tenso e intenso! Enfim...


Bom, tenho novos planos para este blog. Todavia, terei que adiá-los, por conta de boas novas!! É...outra hora ...eu explico.




Espero que 2011 seja um bom ano para todos!


Rosana Benevenuto




quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Presente de Natal


antes do natal
colorindo o pinheiro
flores de cera





noite de ano novo
no alto do pinheiro
a Lua brilha

Alice Ruiz

domingo, 28 de novembro de 2010


Tem


Tempo.


Rosana Benevenuto